Foto: Divulgação/Adaf

Análise de sementes chinesas misteriosas identifica duas pragas e quatro fungos que não existem no Brasil

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Uma nova análise das sementes misteriosas recebidas por brasileiros em compras feitas pela internet (especialmente de produtos vindos da China) identificou duas espécies de pragas e quatro fungos que não existem na agricultura e na vegetação brasileira. A informação consta em balanço elaborado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Goiás (LFDA-GO), referência em sanidade vegetal, divulgado na quarta-feira (25). O órgão concluiu estudos de 36 amostras, do montante de 525 recebidas de todo o país.

As pragas detectadas foram as da espécie myosoton aquaticum e descurainia sophia. A primeira espécie apresenta resistência a pesticidas, o que torna seu controle difícil, segundo o superintendente do LFDA/GO, Arnoldo Daher Junqueira. Ela é considerada daninha nos campos de trigo da China.

A segunda praga, descurainia sophia, é classificada como planta daninha nos Estados Unidos e Canadá, além de planta invasora no México, Japão, Coreia, Chile e Austrália.

O LFDA/GO encontrou os fungos cladosporiumalternariafusarium; e bipolaris. Outras amostras continham gêneros que têm espécies quarentenárias ou espécies com potencial quarentenário, como sementes de cuscuta; de brassica; de chenopodium; e de amaranthus.

Arnoldo Daher explica que a praga quarentenária tem grande potencial de causar dano econômico e ambiental ao país, e pode ser fungo, ácaro, bactéria ou vírus.

O laboratório de defesa agropecuária em Goiás começou a receber as sementes a partir de setembro e, atualmente, todos os estados brasileiros e o Distrito Federal relataram recebimento de amostras pelos Correios.

Segundo Arnoldo, a maioria das sementes analisadas é do tipo “ausente”, o que significa que não existe no país, e vieram de quatro países asiáticos.

Desde o recebimento das primeiras amostras das sementes misteriosas no país, o Ministério da Agricultura intensificou a fiscalização das correspondências que chegam do exterior.

“Antes, a gente conseguia apreender 2 mil amostras por mês, hoje [esse número] já está em 5 mil”, afirma Arnoldo.

A Agrodefesa e o Ministério da Agricultura alertam para os riscos da manipulação desses materiais, como a possibilidade da entrada de pragas ou doenças que não existem ou que já estão erradicadas no país. A orientação é para que as pessoas não abram, não plantem nem joguem fora as sementes.

Informações da TV ANHANGUERA/G1 GOIÁS

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