À primeira vista, observadores desavisados da cena política da Região Metropolitana de Campinas (RMC) poderiam enxergar como um sinal de divergência o fato de o prefeito de Hortolândia, Zezé Gomes, e seu vice, Cafu César, caminharem com candidaturas distintas na disputa pela Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP). Enquanto Zezé declara apoio à atual deputada estadual Ana Perugini (PT) em sua busca pela reeleição, Cafu César une forças à campanha do ex-vereador de Sumaré Willian Souza (PT).
No entanto, uma leitura analítica aprofundada mostra que a movimentação passa longe de expor eventuais rachas na administração municipal. Trata-se, na verdade, de um pragmatismo estratégico bem executado, voltado a ampliar os horizontes de captação de recursos e garantir representatividade dupla para o município na esfera estadual.
Duas frentes, uma única base de desenvolvimento
Para compreender o ganho institucional de Hortolândia com esse cenário, é preciso analisar o peso e as conexões de cada uma das lideranças envolvidas no ecossistema local:
- Ana Perugini e o vínculo histórico: Com uma trajetória consolidada ao longo de mais de duas décadas de vida pública — somando passagens como vereadora, deputada federal e três mandatos na ALESP —, Ana Perugini é peça fundamental para a infraestrutura e o orçamento de Hortolândia. A parlamentar ostenta um histórico expressivo de destinação de verbas para a saúde, educação, causas sociais e saneamento no município. O apoio do prefeito Zezé Gomes à sua reeleição reforça a manutenção de um canal de diálogo direto e já testado com a capital paulista.
- Willian Souza e a ponte regional: Figura ascendente na RMC, Willian de Sumaré traz consigo forte trânsito político e interlocução estruturada nos municípios vizinhos. Embora tenha sua trajetória vinculada a Sumaré, Willian construiu conexões orgânicas com as demandas de Hortolândia. A decisão do vice-prefeito Cafu César de impulsionar seu nome atua no sentido de garantir que, caso eleito, Hortolândia o tenha não como um deputado visitante, mas como um representante direto com dívida de compromisso com o município.
O cálculo estratégico por trás dos apoios
Em um cenário onde a disputa por emendas parlamentares, convênios estaduais e verbas de orçamentos regionais exige articulação constante, depender de apenas um gabinete na capital pode limitar a margem de crescimento de um município em rápida expansão.
Analistas políticos apontam que a distribuição calculada de palanques dentro do Executivo municipal traz vantagens concretas:
- Potencial de dobradinha na ALESP: Hortolândia tem chances reais de contar com dois deputados estaduais atuando ativamente como embaixadores da cidade no Poder Legislativo Paulista.
- Maximização de investimentos: A consolidação de duas forças na Assembleia se traduz na duplicação de emendas impositivas e na facilitação de projetos junto às secretarias de Estado.
- Maturidade democrática: A convivência harmoniosa do prefeito e do vice em torno de nomes diferentes demonstra a solidez do grupo político no comando do município, priorizando os frutos para a população em detrimento de disputas egóicas.
Vitória da cidade acima das siglas
A hipótese de um atrito interno entre Zezé Gomes e Cafu César perde força ao observar a rotina da gestão municipal e a fluidez das ações de governo. A conduta madura das lideranças explicita que o foco central da parceria é a construção de soluções para os problemas da cidade.
Longe de enfraquecer o governo municipal, o pluralismo de alianças da dupla Zezé e Cafu consolida Hortolândia como polo de articulação estratégica na RMC. A cidade ganha terreno, multiplica pontes de diálogo e se projeta com destaque para a próxima legislatura.

