A violência contra a mulher segue deixando marcas profundas e alarmantes no interior paulista. Com a confirmação de ocorrências graves ao longo dos últimos meses, o município de Hortolândia contabiliza três casos oficiais de feminicídio em 2026. Os crimes acendem um alerta vermelho nas autoridades de segurança pública, nos órgãos de proteção à mulher e na sociedade civil sobre a persistência da violência de gênero dentro dos lares.
O perfil dos casos registrados neste ano reforça a tese de que o ambiente doméstico e os parceiros ou ex-companheiros continuam sendo os principais vetores de risco para as mulheres. O caso mais recente ocorreu no início de setembro, quando Cleonice Aparecida Pinheiro de Oliveira, de 54 anos, foi encontrada morta a facadas dentro da residência onde morava, no Jardim Minda. O companheiro foi apontado como principal suspeito e preso em flagrante pela Polícia Civil, mobilizando a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).
Anteriormente, em março, Hortolândia já havia registrado a trágica morte de Julyene de Lima dos Santos, de 26 anos, assassinada a facadas no Jardim Nova Europa. Na ocasião, o suspeito fugiu do local em um veículo que acabou sendo encontrado capotado na Rodovia Anhanguera, no município de Vinhedo, onde o homem foi capturado dias depois após uma operação conjunta das Guardas Municipais.
Panorama regional e histórico
O número registrado em Hortolândia reflete uma tendência preocupante observada em toda a Região Metropolitana de Campinas (RMC). No ciclo anterior, em 2025, a RMC acumulou dezenas de episódios fatais, incluindo casos emblemáticos na cidade — a exemplo do homicídio de uma jovem de 21 anos no Jardim Terras de Santo Antônio em dezembro.
Especialistas em segurança pública apontam que, embora o rigor das leis tenha aumentado com qualificadoras mais severas para o feminicídio, a prevenção esbarra na subnotificação de agressões psicológicas e ameaças prévias. O comparativo com anos anteriores demonstra que os desfechos letais continuam recorrentes, exigindo o fortalecimento de redes de apoio locais, ampliação de medidas protetivas de urgência e campanhas contínuas de conscientização, a exemplo do Agosto Lilás.
Canais como a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), a Guarda Municipal (153) e a Polícia Militar (190) seguem à disposição para denúncias anônimas e atendimento imediato em situações de violência doméstica na cidade.
Por Waldir Ferreira da Silva Junior
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